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Site oficial da liga moçambicana de futebol

2018-11-20

Ananias Couana no balanço do Moçambola-2018: Fomos flexíveis

Em entrevista exclusiva para a página web e redes sociais oficiais da LMF, o presidente Ananias Couana fez o balanço daquilo que foi a época, falando, entre outros assuntos, das perspectivas para a próxima temporada futebolística.

Ananias Couana no balanço do Moçambola-2018: Fomos flexíveis

Em 2018, a UD do Songo revalidou o título de campeã nacional de futebol. Foi, em termos de golos, o Moçambola mais produtivo desde 2014. Telinho, da Liga Desp. de Maputo, venceu os títulos individuais de melhor marcador e de melhor jogador do Moçambola. Guirrugo, do Costa do Sol, de guarda-redes menos batido.

Assim resume-se o recém-terminado Campeonato Nacional de Futebol, o Moçambola, no seu capítulo desportivo. Uma prova que, regra geral, narra uma história de superação face à crise financeira que afecta a sua entidade gestora, a LMF-Liga Moçambicana de Futebol.

Em entrevista exclusiva para a página web e redes sociais oficiais da LMF, o presidente Ananias Couana fez o balanço daquilo que foi a época falando, entre outros assuntos, das perspectivas para a próxima temporada futebolística.

De resto, decidimos dividir a entrevista em três partes, em função da importância dos temas tratados na conversa havida.

Nesta primeira parte, o presidente da LMF fez a radiografia da prova. Falou também da marcação de jogos, da presença de clubes moçambicanos nas Afrotaças, bem como da mudança da época desportiva, que diz depender fundamentalmente dos clubes.

LMF: Qual é o balanço real que se deve fazer do Moçambola-2018?

Ananias Couana: Numa avaliação global do trabalho feito, desde o arranque da competição até à festa da consagração do campeão, o balanço é positivo. No entanto e, para uma melhor compreensão do que isso significa, é preciso dividir o balanço por áreas de acção.

Relativamente ao objectivo principal, que é o da organização do campeonato, conseguimos realizar as 30 jornadas, apuramos o campeão nacional e encontrámos os três clubes que caíram de divisão. Neste capítulo do apuramento do campeão e dos despromovidos, importa realçar que tudo isto foi alcançado nas duas últimas jornadas do Moçambola, o que realça a competitividade deste Moçambola.


"Relativamente ao objectivo principal, que é o da organização do campeonato, conseguimos realizar as 30 jornadas, apuramos o campeão nacional e encontrámos os três clubes que caíram de divisão."


No entanto, analisando a componente da gestão da marcação de jogos, encontramos aqui um défice, visto que logo na primeira jornada não conseguimos realizar todos os jogos. Outrossim, tivemos algumas jornadas amputadas a meio do campeonato, onde chegamos a remarcar jogos para dias incomuns como segunda e quinta-feira. Poderíamos ser mais regulares no agendamento de jogos, apesar de termos feito um trabalho árduo para que que todas as partidas jogos fossem realizadas.

LMF: A presença de clubes moçambicanos nas Afrotaças contribuiu para que a LMF não fosse regular na marcação de jogos

AC: Neste âmbito crescemos. Em 2017 vivemos a nossa primeira experiência, visto que tivemos dois clubes envolvidos na fase de grupos das Afrotaças. Como resultado dessa experiência, tivemos de rever o Regulamento de Competição, que determinava que a segunda volta não podia iniciar sem que fossem disputados todos os jogos. Isto não era prático para nós e o artigo em referência acabou sendo retirado, por consenso, durante a última assembleia-geral da LMF, permitindo que a segunda volta possa iniciar sem a obrigatoriedade da disputa de todos os encontros da primeira. Por conta disso, em 2018 tivemos de ser bastante flexíveis na gestão do calendário da União Desportiva de Songo, que mesmo com jogos da primeira volta em falta, conseguimos iniciar a segunda volta.

LMF: Mas não seria este, o momento, para que o País possa seriamente reflectir sobre a alteração do calendário desportivo

AC: Existe espaço para que possamos analisar profundamente a mudança da época desportiva. Aliás, julgo ser este o período oportuno para o efeito. Todavia temos de partir do pressuposto que continuamos presos, fundamentalmente, às situações climatéricas, segundo as quais de Dezembro a Fevereiro registamos o período chuvoso. Isto sem nos esquecermos de que o ano económico inicia em Dezembro e Janeiro.

LMF: E andaremos presos à questão climatérica?

AC: Como disse, há sempre espaço para se avaliar, para se debater e se encontrar uma saída, desde que se peguem em factos. No passado o argumento era de que as questões climatéricas, ou seja, de que o tempo chuvoso deixava os campos alagados e impraticáveis. Hoje podemos voltar a avaliar se, no período chuvoso, os campos ficam ou não alagados, se há, ou não, vias de acesso para os recintos desportivos por forma a que o Moçambola decorra sem sobressaltos. Podemos, depois dessa análise, avaliar se podemos estar ou não alinhados com o calendário da Confederação Africana de Futebol.

LMF: Mas quem deve fazer essa avaliação - a LMF?

AC: Essa avaliação não deve ser imputada somente à LMF. Deve também ser feita a nível da Federação Moçambicana de Futebol e, sobretudo, pelos clubes. Aliás, enquanto associados da LMF, os clubes devem reunir para debater a calendarização do futebol nacional e proporem as devidas alterações, se elas existirem, ao órgão máximo de tutela do futebol moçambicano. É nossa cultura os clubes reunirem para discutir sobre as melhorias que se devem impor no futebol moçambicano.

Por exemplo, em 2016 houve uma alteração no tocante à quota de estrangeiros em campo, para os jogos do Moçambola. Os clubes reuniram e deliberaram, por consenso, o aumento de três para quatro estrangeiros em campo, dos cinco inscritos na ficha do jogo.