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2021-04-16

Victor Mayamba: Um profundo conhecedor do futebol moçambicano que sonha trabalhar no estrangeiro

Com um longo percurso nas camadas de formação nos clubes da Cidade de Maputo, Victor Mayamba é no presente é uma das grandes promessas da nova geração dos treinadores em Moçambique.

Victor Mayamba: Um profundo conhecedor do futebol moçambicano que sonha trabalhar no estrangeiro

O actual treinador da ENH de Vilankulo, por sinal umas das equipas sensação antes da interrupção do Moçambola, formado em construção civil e contabilidade e gestão, é um treinador obcecado em potenciar jogadores.

Há, no entanto, uma história de superação por trás do técnico que, diga-se, tem uma trajetória que pode servir de inspiração para os jovens que querem singrar no mundo do futebol e na vida.

Quando tinha apenas um ano de idade, Victor Mayamba, actualmente com 42 anos de idade a serem completados em Outubro próximo, teve um dos golpes mais duros no jogo da vida. Perdeu o seu progenitor e ainda hoje guarda sequelas desta perda. “É no futebol onde procuro refugiar-me da falta que sinto do meu falecido pai que perdeu a vida em Niassa, quando tinha apenas um ano de vida, até nos dias de hoje tento localizar os familiares do meu progenitor”.

Por ser órfã de pai, o treinador que destacamos hoje teve uma infância desafiadora. Cresceu no populoso bairro de Chamanculo "A", na responsabilidade dos seus avós maternos. No meio das dificuldades e humildade nunca lhe faltou escola.

“Desde a tenra idade sempre fui um menino inteligente e apaixonado pelo futebol. Até porque vivia em frente ao campo do Grupo Desportivo de Mahafil, por sinal onde iniciei a minha carreira. Primeiro como jogador de futebol e mesmo na mocidade quando jogava júniores deste clube histórico que fui desafiado a pendurar as botas para assumir o papel de treinador de infantis no longínquo ano de 1996”.

Em casa dos avôs do menino Vitó o desporto não era prioritário, ou seja, vinha em segundo plano, por isso, o actual treinador da ENH de Vilankulo viu-se obrigado a conciliar as duas coisas. “Em casa dos meus avôs os estudos vinham em primeiro plano e o futebol era secundário. Primeiro ia a escola e depois é que ia treinar. Fiz o ensino primário na escola 25 de Junho. Depois do ensino secundário na Escola Estrela Vermelha passei para Escola Industrial 1ª de Maio, onde me especializei na área de construção civil. Fiz igualmente formação profissional metalomecânica, onde fiz contabilidade e gestão”.

Formação como trampolim para brilhar nos seniores

Depois de cumprir com o sonho dos seus avós que queriam o ver formado academicamente, investiu na formação desportiva, tendo o nível "A" da CAF deste 2015, mas para este diploma Vitó ou mister “Craque” como era carinhosamente tratado pelos seus pupilos, teve que abdicar de várias coisas para ter aquele prestigiado diploma da CAF. “Para tirar o curso de nível “A” da CAF, em 2015, tive que rescindir o contrato que me ligava ao Clube dos Desportos de Maxaquene”.

Foi trabalhando nas camadas de formação que Victor Mayamba deu nas vistas. Iniciou-se no Grupo Desportivo Mahafil, tendo passado ainda pelo Desportivo de Alto-Maé antes de orientar emblemas como a Liga Muçulmana hoje Liga LDM, académica, Costa do Sol e Ferroviário de Maputo.

Aliás foi nos locomotivas que Mayamba sagou-se campeão nacional de juniores. Depois do brilharete no escalão que antecede os seniores, Victor Manyamba subiu para os seniores. “Em Outubro de 2011 assinei o meu primeiro contrato profissional com o Vilankulo Futebol Clube para assumir o papel de treinador adjunto, depois passei por Matchedje de Maputo, Maxaquene também como adjunto. No Desportivo de Niassa tive a primeira experiência como treinador principal”.

Antes de assumir a comando técnico do ENH, Victor Mayamba logrou a façanha de ser campeão nacional por dois clubes diferentes, ou seja, Costa do Sol e União Desportiva de Songo, por sinal, todos na condição de adjunto.

“Na UDS fui campeão em 2017, tendo repetido o feito 2019 ao serviço do Costa do Sol. No ENH primeiro fui adjunto e agora sou técnico principal. O objectivo para época em curso passa por potenciar e capacitar os jogadores para alcançarmos uma manutenção tranquila projectando as próximas (2023/2024) onde o clube terá que se assumir como candidato ao título”.

“Respeito os clubes pelas quais tive a oportunidade de trabalhar”

Um treinador de futebol depende de resultados e Vitor Mayamba está ciente disso, porém considera-se um treinador que nutre profundo respeito por todos os clubes que confiaram nos seus préstimos. “Por todos os clubes onde passei adquiri muita experiência e sou um conhecedor profundo do futebol moçambicano, tive a oportunidade de trabalhar com todos os escalões da base antes de chegar ao topo”.

É um técnico com vastíssimo currículo, mas guarda nostalgicamente dois momentos marcantes na sua carreira. Um foi ao serviço da União Desportiva e outro foi na primeira e única aventura do Desportivo de Nacala na fina – flor do futebol nacional.

“Em 2017, a UDS jogava a última cartada de acesso a fase de grupos da Taça Nelson Mandela. Neste dia fiquei alguns minutos trancada na casa de banho e de joelhos a rezar durante o intervalo e no final do jogo conseguimos o apuramento no deserto do Sudão, foi um momento que para sempre vou guardar na minha carreira. Contudo, no futebol não só vivi momentos bons, um dos momentos negativos e desafiadores foi a minha primeira experiência vivida em Lichinga onde vivi 6 meses numa igreja e sem salários”.

Na derradeira ronda antes da paralisação do Moçambola, Vitor Mayamba voltou a uma casa onde foi feliz. Foi bem recebido, mas no final de tudo fez estragos com o seu ENH de Vilankulo, mas o técnico desvaloriza o facto de só se destacar o triunfo do único representante da província de Inhambane frente aos canarinhos.

“Coloca - se em destaque no facto de termos vencido o Costa do sol que é o campeão em título, mas nós vencemos também o Textáfrica que é o primeiro campeão nacional e o Ferroviário de Nacala que já foi vencedor da extinta taça BNI. Não houve um segredo especial pois trabalhamos como termos trabalhado para defrontar os 13 adversários no Moçambola, com a mesma humildade que nos caracteriza, até então fazemos uma avaliação positiva pois ganhamos 75% dos jogos e isso é fruto de muito trabalho, dedicação e união do grupo. Tenho uma equipa de jovens com uma excelente margem de progressão, que só precisam de darem o máximo de si que os resultados irão sempre aparecer com naturalidade”.

O sonhador Mayamba

Na opinião do actual treinador do ENH, os técnicos jovens não são avaliados pela qualidade de trabalho que tentam introduzir no nosso futebol, são avaliados pelos resultados e acabam não tendo tempo para mostrar o seu real valor. “Há resistência a mudanças e quando tentamos dar contributo nos consideram miúdos e ambiciosos”.

Para um treinador que passou um longo período na formação chegar aos seniores na qualidade de treinador principal é a cereja no topo do bolo, mas apesar de ter conseguido esse feito com suor, sacrifício e paciência, Mayamba ainda tem sonhos e objectivos.

“Trabalhar para estar entre os melhores formadores e treinadores do país, quiçá trabalhar além fronteiras e conseguir um estágio na Holanda ou Portugal onde tem grandes Treinadores e escolas de futebol”, disse o treinador que define-se como uma pessoa que procura sempre ajudar o próximo.

“Sou um simples doador voluntário como forma de ajudar o próximo. Gosto de aderir campanhas de doação de sangue e faço com gosto, perdi a 5 anos um amigo que precisava de transfusão de sangue e isso mexeu comigo e passei a doar de forma voluntária”.