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Site oficial da liga moçambicana de futebol

2021-01-28

O exportação

Começou no S. José e teve por cá o apogeu com a camisola “alvi-negra”, tendo sido um dos principais protagonistas de inesquecíveis tardes de glória da Selecção Nacional.

O exportação

No Desportivo de Maputo tornou-se um ídolo e na Selecção, um emblema. Na altura, nenhum selecionador se “atrevia” a deixá-lo de fora, tendo somado 39 presenças na equipa de todos nós.

O seu bio-tipo não é o mais comum para um jogador de área, mas era aí em que as suas qualidades se evidenciavam. Por ser baixo, não se aventurava muito no jogo aéreo, mas a verdade é que tinha dois poderosos pés que tudo compensavam, tanto a driblar como a rematar.

As suas armas principais eram a frieza, o drible curto, passe para o lugar certo e o forte pontapé. Pelo carácter lutador, na posição de segundo ponta-de-lança, a sua utilidade era extrema, tanto a defender como a atacar. Era um líder por excelência e jogador capaz de fazer levantar o astral dos colegas, mesmo nos momentos mais difíceis.

NO SPORTING AOS 33 ANOS

Em Dezembro de 1988, aos 33 anos, assinou pelo Sporting de Portugal, por quatro temporadas, após ter sido campeão e melhor marcador, internamente. Chegou, treinou, actuou pelo clube só em jogos particulares.

O seu belo futebol passou a ser exibido em colectividades de menor expressão, com os “leões” de Lisboa a não cumprirem com o contrato evolutivo que haviam assinado com o atleta moçambicano. Quando o assunto ficou resolvido, o Sporting elegeu um novo presidente, que lhe colocou duas hipóteses: ser colocado num clube de menor expressão, ou mudar de nacionalidade.

Optou pela primeira hipótese, para se manter moçambicano. Dias de autêntica tortura se seguiram, com idas constantes a Lisboa para resolver um diferendo que até hoje permanece.

Acabou por arrumar as botas no Fomos de Algodres, aos 40 anos. Regressou, qual filho pródigo, para participar nos projectos dos “alvi-negros” para as camadas jovens. Nos Mambas, é como que uma reserva moral, pois está sempre pronto a dar um pouco da sua experiência. Orgulho do país e orgulhoso do seu país, Calton Banze ainda tem muito a dar, numa modalidade em que foi, sem favor, um dos mais exímios.

Legenda da foto: Calton Banze no centro.

Bibliografia: Renato Caldeira, 40 anos Após a Independência, 2016

Extraido aqui: Estrelas de Moçambique (10) – Calton Banze – Futebol