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2021-05-13

Nenê: o “polvo” canarinho formado no Textáfrica

Ainda com idade de júnior chegou à equipa principal do Textáfrica e hoje é um dos melhores médios defensivos que actuam no futebol nacional. Trata-se de Feliciano Jone, conhecido nos meandros desportivos por Nenê.

Nenê: o “polvo” canarinho formado no Textáfrica

O possante trinco notabilizou-se ao serviço do Textáfrica de Chimoio antes de se mudar para a Cidade de Maputo, onde actualmente representa o Clube dos Desportos da Costa do Sol.

Foi na Cidade de Chimoio onde nasceu e passou toda a sua infância, apesar de ter perdido o progenitor ainda na tenra idade, afirma que teve uma infância normal tal como muitas crianças daquela época. Destacou-se nos escalões de formação do Textáfrica e graças a sua entrega e talento conseguiu ascender aos seniores do primeiro campeão nacional.

Entretanto, o actual trinco do Costa do Sol, apelidado de “polvo” pela sua capacidade de recuperação de bolas, antes de se aventurar no futebol experimentou o andebol, tendo sido eleito do Jogador Mais Valioso do Campeonato Nacional de 2013, realizado em Maputo.

A paixão pelo futebol falou mais alto. Depois do brilharete no nacional de andebol, Nenê assumiu a sua paixão pela modalidade das massas. Completou a sua formação no clube mais popular da província de Manica. “Fiz a minha formação no Textáfrica de Chimoio onde passei por dos escalões de formação, mas sempre jogava no escalão acima do meu”.

A transferência para o Costa do Sol

Quando Nenê ascendeu aos seniores, o Textáfrica de Chimoio ainda militava no segundo escalão do futebol nacional. Em 2016, comandados pelo Abdul Omar, os fabris do planalto de Chimoio conseguiram regressar ao convívio dos grandes do futebol nacional e Feliciano Jone era uma das estrelas da companhia.

Em 2017, ainda com idade de júnior, ou seja, com 19 anos, Nenê estreou-se no Campeonato Nacional de Futebol. As grandes exibições na época de estreia despertaram uma batalha titânica entre os tubarões da capital moçambicana pela contratação do jovem médio, mas foi o Costa do Sol que conseguiu a sua contratação.

A primeira época (2018) no ninho do canário, em termos colectivos não foi das melhores, uma vez que os canarinhos terminaram a prova no modesto oitavo lugar. Contudo, em termos individuais, Nenê conseguiu a sua afirmação no panorama futebolístico nacional.

Depois de muitas tentativas falhadas, em 2019, o Costa do Sol conseguiu, depois de mais de uma década de jejum, conquistar o Campeonato Nacional de Futebol. Para o internacional moçambicano a conquista do Moçambola foi o culminar de um sonho.

“Foi incrível porque já se passavam muitos anos que o Costa do Sol não ganhava o campeonato. Desde criança que sonhava em um dia ser campeão nacional, por isso, foi a realização de sonho. O grupo fez merecer, o título foi resultado de muita entrega e dedicação de toda estrutura do clube”.

A confiança de Abel Xavier para se estrear pelos Mambas

Em 2017, ainda ao serviço do Textáfrica, Nenê foi uma das grandes novidades na lista dos jogadores escolhidos por Abel Xavier para disputar a Taca Cosafa, prova disputada por países da África Austral.

O combinado nacional teve uma prestação pálida, tendo saído com apenas três pontos em nove possíveis, mas nem tudo foi um desastre, uma vez que depois daquele certame Abel Xavier ganhou mais uma opção para o meio – campo dos Mambas.

“Xavito, era assim como o tratava quando estava diante dos meus colegas, foi o treinador que me deu a oportunidade de brilhar com a camisola da seleção nacional. Penso que se não existisse Abel Xavier, o Nenê podia existir mas não seria o mesmo de hoje. Ao mister Abel vai o meu profundo agradecimento pela oportunidade que me de cumprir o sonho de vestir a camisola da selecção Nacional”.

Os homens passam e as instituições ficam. Abel Xavier deixou de ser selecionador e Luís Gonçalves ocupou a vaga deixada pelo “Loirinho”. Mesmo com a mudança de selecionador, Nenê continuou a figurar entre os eleitos. O médio dos canarinhos considera que a falta de sorte contribuiu para que, mais uma vez, os Mambas não conseguissem o apuramento para o CAN.

“Ao meu ver faltou-nos sorte. Temos que nos organizar melhor para termos sorte. Tudo deve começar de acima até os jogadores”.

Um agente da GOE infiltrado no futebol

O jogador moçambicano sempre foi classificado como aquele que chega aos seniores ainda com algumas arestas por limar. Para Feliciano Jone, que se define como um atleta único com um carácter só dele, o jogador moçambicano é talentoso e só precisa de oportunidade para singrar no estrangeiro.

“Para mim o jogador moçambicano é uma relíquia. Os dirigentes deixam-no enferrujar, deixando eles muito tempo no nosso campeonato. Se tivéssemos dirigentes corajosos teríamos muitos compatriotas no estrangeiro”.

Fora dos relvados, o jogador que tem como referências o seu irmão mais velho, Busquets e Kantê, é estudante universitário, estando no presente a frequentar o terceiro de licenciatura em gestão de empresas.

Questionado o que seria na vida se não fosse jogador do futebol, Feliciano Jone disse que teria seguido a carreira com agente da polícia.

“Se não fosse jogador seria um polícia. Sempre sonhei em ser um agente do Grupo Operações Especiais (GOE). Há dois momentos que para sempre vão marcar a minha carreira como jogador do futebol. O primeiro foi no meu segundo ano nos seniores do Textáfrica quando perdemos um jogo e falhamos a ascensão ao Moçambola. Ganhar o Moçambola com a camisola do Costa do Sol foi um dos momentos mais marcantes pela positiva na minha carreira”.