Saltar para o corpo principal da página

Site oficial da liga moçambicana de futebol

2021-06-24

Nelson Manuel: o defesa (do Textáfrica) que brilhou no CAN de futebol de praia

São raros os casos de atletas que jogam no Moçambola que logram o feito de serem eleitos melhores jogadores de uma prova continental.

Nelson Manuel: o defesa (do Textáfrica) que brilhou no CAN de futebol de praia

Em Maio de ano em curso, Moçambique estreou-se no Campeonato Africano no que ao futebol de praia diz respeito. Apesar de ser a primeira aparição, o combinado nacional fez história, tendo terminado o certame na segunda posição o que, de certa forma, lhe valeu um lugar no Campeonato do Mundo.

Se por um lado, o colectivo contribuiu para que Moçambique conseguisse resultados inéditos. Por outro, Nelson João Manuel, atleta do Textáfrica, que divide os relvados com as arenas, destacou-se individualmente até ao ponto de ser considerado melhor jogador e marcador da prova.

Nos cinco jogos disputados no certame realizado na capital senegalesa, Dakar, o internacional moçambicano, apesar de ser um defesa, conseguiu ficar com a Bota de Ouro, troféu que consagra o melhor marcador da prova.

Além de ter balançado por 10 vezes as redes contrárias, Nelson fez exibições que deixavam os poucos adeptos que faziam a Arena do Dakar com água na boca sempre que tocasse na bola. As suas performances não passaram despercebidas e, por unanimidade, foi considerado o melhor jogador do CAN.

O actual melhor jogador africano de futebol de praia nasceu na capital moçambicana a 02 de Fevereiro de 1996. O futebol, desde a tenra idade, foi a modalidade favorita de Nelson. Antes de se iniciar no futebol federado, disputou o Torneio Infanto – Juvenil, sobejamente conhecido por Bebec.

Apesar de ser confesso admirador da modalidade das massas, o progenitor do defesa goleador no futebol de praia não aceitava que jogasse no Clube dos Desportos da Maxaquene, uma vez que não conseguia conciliar o futebol com os estudos.

“Tenho uma trajetória menos diferente dos outros atletas no desporto. Desde pequeno que sou apaixonado pelo futebol. Depois de ter participado no BEBEC com as cores do bairro de Laulane aventurei no futebol federado, mas sempre tinha intervalos devido aos estudos”

A longa caminhada de Nelson para chegar ao Textáfrica

Depois de ver fechadas as portas do futebol federado, o amor de Nelson pela modalidade das massas não esmoreceu, ou seja, continuou a jogar nos torneios recreativos organizados a nível do bairro de Laulane. O futebol recreativo abriu-lhe novamente as portas das provas organizadas pela Associação de Futebol da Cidade de Maputo e como era perto de casa o progenitor acabou o libertando para treinar.

“O meu pai acabou percebendo que eu amava o futebol e tinha potencial. Aliás, ele sempre ouvia comentários dos seus amigos sobre as minhas exibições nos jogos e quando o meu treinador vinha me visitar, ele acabou reconhecendo que o filho era valioso. Apareceu uma oportunidade para voltar a jogar futebol federado quando uma equipa conseguiu usar o nome do Maxaquene para competir nas provas organizadas pela Associação de Futebol da Cidade de Maputo. Treinava perto de casa, uma vez que não podia percorrer grandes distancias por causa dos estudos”.

Quando parecia que o regresso ao futebol federado era definitivo, o defesa do Textáfrica e actual melhor jogador africano de futebol de praia viu-se obrigado a colocar mais uma pausa na sua carreira com vista a dar prioridade aos seus estudos.

“Quando cheguei aos juniores, por iniciativa própria, decidi dar uma pausa ao meu percurso no futebol porque não conseguia conciliar os estudos com o desporto. Jogava apenas futebol recreativo. Depois de terminar os estudos apareceu um amigo que militava no Moçambola que me convidou para fazer testes no Chingale de Tete e felizmente consegui convencer os treinadores”.

Dois anos foram suficientes para Nelson deixar a sua marca nos canarinhos da província de Tete. No último, graças a sua abnegação, Manuel foi o escolhido para capitanear a equipa, tendo no ano seguinte rumado a província de Manica para representar o Textáfrica.

“Depois da minha aventura no Chingale de Tete surgiu a oportunidade de dar seguimento a minha carreira no Textáfrica de Chimoio. Disputei o Campeonato Africano de Futebol de Praia ainda continuo vinculado ao Textáfrica”.

O significado dos prêmios individuais conquistados no CAN

Não é tarefa para qualquer chegar, ver e vencer numa prova continental, mas Moçambique e Nelson João Manuel conseguiram essa façanha. Nas arenas, o defesa do fabris do planalto conseguiu o que ainda não tinha alcançado nos relvados. O moçambicano foi considerado o melhor jogador da competição e, ao mesmo tempo, melhor jogador. Ainda radiante com as conquistas, Nelson divide os loiros com os companheiros.

“Sinto-me feliz por ter sido considerado o melhor jogador do Campeonato Africano de Futebol de praia. O futebol é uma modalidade colectiva, por isso, esse prêmio apesar de ter sido atribuído a mim é do grupo, uma vez que sem a ajuda deles não teria conseguido conquistar estes prêmios. Se que fosse possível trocaria os prêmios individuais pelo título sem pensar duas vezes. O que fizemos no CAN mostra que em Moçambique há um belo trabalho que está sendo feito”.

“Vamos ao Mundial para travar todos os adversários e crescer a cada jogo”

No Campeonato Africano, a selecção nacional superou todos os adversários na primeira fase, mas sempre esteve em apuros nos primeiros dois períodos. Falando da estratégia adoptada pelo conjunto nacional para aquele certame usou a velocidade e a resistência.

“Estudamos todos os nossos rivais e sabíamos que priorizam as jogadas aéreas. Para os enfrentar melhoramos os nossos índices físicos e a resistência do plantel para explorar o contra – ataque. No último período os adversários não tinham argumentos para nos travar. Na maioria dos jogos, entravamos mal no período, conseguíamos empatar no segundo e finalizávamos no terceiro.

Na eliminatória que antecede a final, o combinado nacional superou a sua congênere da Uganda e garantiu um lugar na próxima edição do Mundial. Naquele que será a estreia de Moçambique na elite do futebol mundial, o actual melhor africano promete a mesma ambição do CAN.

“Podem esperar a mesma ambição da selecção que a que fez história no CAN. Sabemos que estamos em fase de crescimento, não iremos convencidos por aquilo que conseguimos no CAN, dar o vamos dar o nosso melhor e estudar filosofia de como as equipas da europa jogam para travar todos os adversários e crescer a cada jogo”.

Os sonhos do Nelson e os planos para o futuro

Os dois troféus individuais conquistados no último Campeonato Africano de Futebol de Praia foram um marco importante na carreira do internacional moçambicano. Questionado que se sentia um jogador realizado, o defesa do Textáfrica declarou que está satisfeito, mas não realizado.

“Fiz uma parte daquilo que era o meu sonho mas ainda falta muita coisa, a prestação no CAN foi boa, deu para tirar algumas ilações para preparar o Mundial. Sou um homem satisfeito, mas ainda não estou realizado”.

No que ao futuro diz respeito, o melhor jogador e marcador do CAN, que nos tempos livres gosta de passear e conversar com amigos, almeja continuar a brilhar nas arenas e nos relvados.