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2021-04-09

Mustafá Hadji: “Terminei a carreira para cuidar da minha esposa”

Quando ainda tinha pernas para continuar a brilhar nos grandes palcos do futebol nacional, Mustafa Hadji decidiu colocar um ponto final na carreira.

Mustafá Hadji: “Terminei a carreira para cuidar da minha esposa”

O jogador que se notabilizou com as cores do Ferroviário de Pemba, Maxaquene, Liga Desportiva de Maputo e União Desportiva de Songo abandonou os relvados para cuidar da esposa.

Para seguir o sonho de ser um jogador de futebol, Mustafa Arnaldo Hadji Ismail, ou simplesmente Mustafa Hadji, aos 20 anos de idade, viu-se obrigado a trocar o Ferroviário de Nacala, clube onde completou a sua formação, pelo seu homônimo de Pemba, deixando a família e os amigos para começar tudo do zero.

“Transferi-me de clube onde tudo começou para Ferroviário de Pemba. Além da distância que me separava da família passei por dificuldades financeiras. Nos primeiros três meses não tinha direito a salário. Era uma fase probatória, quase me arrependia por ter saído do clube que me pagava por uma aventura, mas felizmente tudo acabou entrando nos carris”.

Depois de singrar no Ferroviário de Pemba, Mustafa despertou a cobiça dos tubarões da cidade de Maputo, tendo se transferido para o Maxaquene em 2009. Nos tricolores, El Makua, como era carinhosamente tratado pelos colegas, ficou duas épocas, ou seja, entre 2009 e 2010.

“Foi o culminar de um sonho, primeiro ir à Maputo e, por outro lado, para vestir as cores do Maxaquene, que na altura tinha jogadores que dispensam qualquer tipo de apresentação. O capitão Macamito e Campira eram jogadores que me expiravam só os via pela televisão, mas passaram a ser meus colegas.

“Na LDM cresci como homem”

Na sua passagem pelo Maxaquene, Hadji conquistou uma Taça de Moçambique em 2010, por sinal na sua última época naquele histórico clube do futebol moçambicano. Em 2011, Mustafa Hadji mudou-se de malas e bagagem para Liga Desportiva Muçulmana de Maputo, actualmente Liga Desportiva de Maputo.

“Na Liga Desportiva de Maputo foi onde fui feliz profissionalmente e sobretudo cresci como homem. Em cinco épocas ganhei tudo que podia ganhar desde títulos até a minha estabilidade financeira. São momentos que certamente vou levar para vida inteira, na LDM ganhar quatro campeonatos nacionais. As épocas 2013 e 2014 foram marcantes, uma vez que conquistamos dois títulos seguidos”.

Terminado o “conto de fadas” na Liga Desportiva de Maputo, em 2016, com pompa e circunstância, Hadji foi anunciado como reforço do Clube dos Desportos da Costa do Sol. Nos canarinhos teve uma passagem discreta, uma vez que não era indiscutível nas opções do treinador.

Depois duma época em que foi pouco utilizado, Mustafa Hadji decidiu voltar às origens, tendo escolhido o Ferroviário de Nampula como destino. Nos locomotivas da apelidada capital da norte, o médio defensivo que muitas vezes foi adaptado a lateral direito, voltou a jogar com regularidade, tendo na época seguinte se transferido para a União Desportiva de Songo.

O adeus precoce e aventura no mundo dos negócios

No único representante da província de Tete no Moçambola do corrente ano, em 2018, Mustafa Hadji conquistou o quinto anel de campeão nacional. Na época seguinte quando ainda tinha pernas para continuar a brilhar nos relvados nacionais, o jogador natural de Nampula, aos 30 anos idade, decidiu pendurar as botas para cuidar da esposa.

“Queria de ficar perto da minha amada esposa, que viria perder a vida em de Setembro de 2019. Com início da doença da minha esposa em 2018 senti me obrigado a ficar perto da minha família depois duma época a pensar o que poderia fazer e estando perto da mesma. Não foi por falta de oportunidades que terminei a carreira, visto que contou muito a vontade de estar perto da família e também já nessa altura tinha mais de 10 anos de total entrega como profissional foram mais de 10 anos de total entrega”.

Terminou a peripécia como jogador de futebol, mas a vida tinha de continuar. Para sobreviver Mustafa Hadji, que tem nível básico de escolaridade e que sonha em formar-se em gestão desportiva, aventurou-se no mundo do negócio e criou uma empresa especializada na venda de material desportivo.

“Essa ideia surgiu com ajuda de alguns amigos que os considero irmãos que a vida me proporcionou, deram me algumas ideias de como andar com os meus próprios pés fora dos campos e daí abri o meu próprio negócio. A M5 ProsPorts é uma especializada em venda e fornecimento de todo tipo de material a diversos clubes do nosso país”.

Mesmo aposentado, Hadji ainda tem uma forte ligação com o futebol, uma vez que a modalidade das massas faz parte do jogador que ao longo da sua carreira envergou as camisolas do Ferroviário de Nacala, Ferroviário de Pemba, Maxaquene, Liga Desportiva de Maputo, Costa do Sol, União Desportiva de Songo e Ferroviário de Nampula.

“Futebol é minha vida, eu penso, durmo e acordo a pensar em futebol. Não tenho uma descrição exata para descrever isso, Agradeço por um dia fazer parte desta arte”.