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2021-06-10

Miro Lobo: “As equipas moçambicanas precisam de projectos a médio e longo prazo”

Almiro Daniel Lobo, acarinhado nos meandros despórtivos por Miro, é um dos jogadores que fizeram do Moçambola o trampolim para seguir para os campeonatos mais vistosos. Pendurou as chuteiras ao serviço dos Bravos de Maquis e abraçou a carreira de treinad

Miro Lobo:  “As equipas moçambicanas precisam de projectos a médio e longo prazo”

Produto das escolas de formação de Estrela Vermelha de Maputo, tal como muitas crianças da sua época, Almiro Daniel Lobo participou no torneio infanto juvenil Bebec, tendo representado o bairro Polana Canico, aliás foi naquele histórico bairro que passou grande parte da sua infância.

“Tive uma boa infância. Desde pequeno era apoixonado pelo futebol. Lembro-me nostalgicamente da final que perdemos no Bebec quando representava o bairro Polana Caniço na marcação das grandes penalidades”.

Para alimentar o sonho de ser jogador de futebol, Miro ingressou no Estrela Vermelha de Maputo, clube pelo qual teve a oportunidade de estrear como federado. No conjunto alaranjado, Almiro Daniel Lobo passou por todos escalões de formação até atingir os seniores.

“Completei a minha formação no Estrela Vermelha e depois fui para o Maxaquene onde fiquei dois anos. Nos tricolores fiquei duas epocase, uma vez que depois fui transferido para a Hungria para representar o Coventry. Na Hungria joguei dois anos.

“Na LDM passei os melhores momentos da minha carreira”

Quando parecia que a terceira época seria de afirmação no velho continente, Miro regressou ao continente africano e o Bidvest abriu-lhe as portas do futebol sul – africano. Nas terras de Nelson Mandela, além do penúltimo clube do Domingues, Miro defendeu as cores do Platinums Stars.

“Joguei alguns anos na África do Sul e depois voltei para Moçambique para defender as cores da Liga Desportiva de Maputo. Na Liga ganhei alguns títulos e fizemos boas campanhas nas Afrotacas”, disse o antigo internacional moçambicano para depois acrescentar que foi na LDM onde passou um dos melhores momentos da carreira.

“Na Liga Desportiva de Maputo fui acarinhado por todos, não só pelos jogadores porque o grosso deles conhecia da selecção, mas pelo seu presidente que dispensa qualquer tipo de comentários. Foi uma oportunidade muito bem aproveitada. Lembro-me com nostalgia dos momentos bons que tivemos e também dos menos bons. Isso vai ficar comigo para toda vida. Gostaria de voltar um dia como treinador, sei que seria bem-vindo e faria de tudo para ajudar o clube a alcançar os seus objectivos”.

“A diferença entre o Moçambola e Girabola está no poder financeiro”

Naquele que foi um dos melhores conjuntos em Moçambique na última década, Miro conquistou vários títulos e fez parte das melhores campanhas do conjunto presidido por Rafik Sidat nas competições chanceladas pela CAF.

“Tivemos uma excelente prestação nas Afrotaças. Conseguimos grandes resultados, mas fomos emilinados pelo TP Mazembe. Depois da Liga surgiu a oportunidade de dar seguimento a carreira no Bravos de Maquis. Depois de algumas épocas fui para o ASA onde fiquei um ano e depois regressei ao Maquis para terminar a carreira como jogador e abraçar a carreira de treinador”.

Almiro Daniel Lobo desfilou a sua classe nos relvados nacionais e angolanos, acredita que a diferença entre o Mocambola e o Girabola está no nível de investimento, uma vez que quando partiu para Angola viu um nível de investimento jamais visto em Moçambique.

“Ao meu ver, a diferença entre Moçambola e Girabola está no poder financeiro, mas também nas ideias do desenvolvimento do futebol. As equipas moçambicanas precisam de projectos a médio e longo prazo. Deve também haver seriedade dos clubes no que respeita aos projectos desenhados para que o Moçambola seja um dos campeonatos mais cotados da África Austral”.

“O seleccionaodor não é o único culpado pelo descalabro dos Mambas”

Desde 2010 que a selecção nacional de futebol não marca presença no Campeonato Africano das Nações. Miro fez parte do combinado nacional que disputou a prova maxima do futebol africano em 2010. Depois da prova realizada em Angola Moçambique soma descalabros atrás de descalabros nas fases de qualificação. Para Miro culpar a covid-19 pelo não apuramento seria irresponsabilidade.

“Conseguimos o apuramento para o CAN-2010 num período difícil, mas felizmente conseguimos a qualificação. Acredito que atirar culpas a covid-19 seria irresponsabilidade da nossa parte porque todos os países foram afectados pela pandemia. acredito que os outros países se organizaram melhor. Colocaram o plano B em acção já que os campeonatos internos estavam suspensos, visto que a nossa selecção é a junção dos internos e externos. Foi uma das causas do nosso fracasso”.

Segundo adiantou a Federação Moçambicana de Futebol, o contrato de Luís Goncalves era por objectivos. O treinador luso não conseguiu qualificar os Mambas para o CAN e foi despedido. Na opinião de Miro o selecionador não é o único culpado.

“Na altura que era jogador podia culpar só o seleccionador, mas nesta altura que sou o treinador não posso culpar somente o treinador porque as vitórias são criadas, são organizadas. Seria injusto culpar e crucificar o treinador. O seleccionador não é o responsavel, a FMF falhou, os jogadores falharam, ou seja, o país falhou.

“Tenho a oportunidade de alcançar o que não alcancei como treinador o que nao consegui com atleta”

Apesar dos recentes desaires, o internacional moçambicana advinha um futuro risonho para o combinado nacional, destacando que Horácio Gonçalves tem matéria prima para formar uma grande equipa.

“Nao conheço o treinador que saiu assim como o novo, mas assisti alguns jogos quando a equipa era orientada por Luis Gonçalves e pude ver a filosofia que ele queria implementar na selecção. Vi alguns jogos do Costa do Sol e a equipa mostrava-se dinâmica, havia sincronização nos sectores. Acredito que com a maturidade e experiência que Horácio Gonçalves tem vai conseguir em pouco tempo formar um grupo de jogadores e transformar numa equipa de verdade”.

Como jogador, o actual treinador - adjunto do Bravos de Maquis conquistou vários títulos, todavia considera-se um homem feliz, mas não realizado.

“Como futebolista acredito que tive sonhos que não consegui realizar, é óbvio que isso não me torna um homem infeliz. Sou um homem feliz porque consegui alcançar coisas que muitos ainda não alcançaram. Triste porque não consegui alcançar alguns objectivos e planos que não pude alcançar com a qualidade que tinha e pela seriedade com que encarava o futebol, mas me considero feliz por aquilo que alcancei. Acredito que aquillo que não alcancei como jogador de futebol tenho oportunidade de fazer muito melhor.