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2021-02-18

Milton Gulube: Um craque que fintou os vícios…

É a mais recente descoberta do futebol moçambicano. É, também, como se diz na gíria desportiva um “maestro” e com apenas 22 anos de idade tornou-se, a par de Henriques do Desportivo de Maputo, o primeiro jogador a bisar no Moçambola-2021.

Milton Gulube: Um craque que fintou os vícios…

Milton nasceu a 14 de Setembro de 1997, em Maputo, concretamente no bairro Bairro de Chamanculo, bairro que viu nascer grandes estrelas, desde o desporto, cultura e política. Grande parte da sua infância foi passada naquele histórico bairro.

Desde cedo teve uma grande paixão pelo futebol. Confessa que teve um a infância linda e risonha em que brincava até ao pôr do sol. “Como toda criança do mundo tive uma bela infância. Sempre que não estivesse a estudar optava por jogar futebol com os meus amigos”.

O futebol sempre foi a modalidade a favorita do maestro da ADV que ao longo da sua infância teve que fintar os vícios com mestria, uma vez que viu o grosso dos seus amigos de infância a embarcar por esse caminho sem volta.

“O bairro Bairro do Chamanculo é conhecido por ter dado à luz a grandes nomes da história de Moçambique, mas é também conhecido pelos piores motivos. A transição entre a adolescência e juventude é um processo complexo e perigoso”, disse Milton para depois acrescentar que “Vi muitas coisas más, como drogas e gente a roubar. Tive amigos que seguiram o caminho fácil e alguns deles estão desaparecidos não se sabendo se estão vivos ou na prisão, porque envolveram-se em coisas más. Esse é um caminho sem volta, apelo aos jovens a pensar muitas vezes antes de se aventurarem por este mundo obscuro.”

Os pais são os professores da vida e Milton teve grandes lições com os seus progenitores, a quem ele agradece pelos ensinamentos que levará para as gerações vindouras “Os meus pais sempre foram presentes e atentos. Eles me incentivaram a escolher boas amizades e tomar decisões conscientes. Dou graças a Deus pelos pais que tenho e vou transmitir o que eles me ensinaram aos meus filhos.”

Uma carreira que se inicia no campo de Fura Redes

A história de Milton, como jogador de futebol, inicia em 2006 no Campo de Fura Redes, no bairro de Chamanculo. Foi neste campo que teve as primeiras “aulas” de futebol para três anos mais tarde seguir para o futebol federado.

O Clube dos Desportos da Maxaquene foi a primeiro clube de Milton enquanto federado. Aliás, foi no clube tricolor que actual médio da Associação Desportiva de Vilankulo fez grande parte da sua formação.”

“Foi no Maxaquene onde fiz grande parte da minha formação como atleta. Foram sete anos maravilhosos. Além de me ter formado como jogador do futebol cresci como homem porque longe de jogar a bola os treinadores davam-nos lições de vida”.

Ao cabo de sete anos, ou seja, em 2016, Milton decidiu sair do Maxaquene, tendo se mudado para o Desportivo de Maputo, eterno rival dos tricolores. No primeiro ano representou a equipa de juniores dos alvinegros, todavia, ficou pouco tempo no escalão que antecede aos seniores, uma vez que os treinadores da nação viram que ele tinha talento para singrar na equipa principal.

“Depois de sete anos decidi dar um novo rumo a minha carreira e o Desportivo de Maputo foi a minha prioridade. Apesar de ter lhes dado grandes dores de cabeça nos jogos que nos defrontamos fui bem recebido pelos colegas e treinadores. Comecei a época nos juniores e depois de poucos jogos foi fui chamado para equipa principal que naquela época disputava a Divisão de Honra da Zona Sul”.

Um craque que fintou os vícios e resistiu a algumas dificuldades

Em 2016, os alvinegros não conseguiram regressar ao convívio dos grandes do futebol nacional e na época voltariam a disputar a segunda divisão a nível da zona sul do país. A segunda época nos seniores, ou seja, 2017, foi de afirmação de Milton águia ao peito, donde partiria para a Associação Desportiva de Vilankulo em 2018.

Se por um lado, Milton ganhou o estatuto de titular indiscutível no Desportivo de Maputo e rubricava exibições de encher o olho, por outro, o clube alvinegro debatia-se com uma crise financeira sem precedentes e não conseguia pagar os salários dos seus atletas e treinadores.

“Em 2016, o Desportivo chegou a dever-me 10 meses de salários e valor das luvas. Foi uma situação bastante complicada para todos. Para minimizar a falta de salários o clube nos dava senhas para ir buscar produtos alimentares num supermercado”.

A primeira época nos seniores foi de má memoria para o actual jogador da Associação Desportiva de Vilankulo, contudo, a segunda lhe reservava mais uma surpresa desagradável “O primeiro ano foi bastante produtivo em termos desportivos e péssimo em marcos financeiros. Eu e os meus colegas esperavam melhorias em 2017, mas debalde foi-me reduzido o salário para 50% do que auferia quando rubriquei contrato. Foi um duro golpe para as minhas aspirações. Consegui resistir a criseas dificuldades e isso me tornou mais forte”.

Milton comparou a situação vivida no Desportivo com aquela que viveu quando estava ao serviço da selecção nacional na Taca Cosafa. “Tenho o habitohábito de ligar para minha mãe para inteirar do estado da saúde dela. Quando estava ao serviço da selecção nacional liguei para ela e quem atendeu foi o meu pai, uma coisa rara de acontecer, e ele disse ela estava a dormir. Fiquei preocupado e cheguei a pensar que alguma coisa de mal lhe havia acontecido. No regresso descobri que a minha mãe estava internada no hospital e não queriam me preocupar, visto que isso ia prejudicar o meu rendimento dentro das quatro linhas”.

Tendo resistido a crise no as dificuldades no Desportivo de Maputo, em 2018, Milton Gulube, atleta quem tem como ídolo o craque brasileiro Neymar, seguiu para a Associação Desportiva de Vilankulo, clube com o qual tem contrato até o final da presente época.

O significado do “bis” na primeira jornada do Moçambola-2021

A estreia na presente edição do Campeonato Nacional de Futebol foi de sonho para o maestro da Associação Desportiva de Vilankulo. O conjunto de Inhambane alcançou um triunfo convincente frente ao Ferroviário de Nacala (4 a 1) e Milton foi o destaque ao apontar dois dos quatro golos. Gulube mostrou-se satisfeito com a sua performance e espera marcar mais golos nas 25 jornadas que faltam.

" Quis o destino que começássemos o Moçambola com uma vitória. Para mim o importante é conjunto. Marcar dois golos foi um momento único e especial para mim. Tenho a certeza quede que os meus colegas e treinadores ficaram felizes por ter contribuído com dois golos neste nosso regresso aos campos depois de muito tempo sem competições”.

O futebol é uma modalidade colectiva e, por isso, Milton não esqueceu de agradecer aos colegas que contribuíram para o triunfo e para os seus golos. “Creio que sozinho não teria marcado, graças a Deus tive ajuda de todos os colegas e estou grato a eles. O nosso treinador disse antes do início do Moçambola que unidos íamos alcançar os nossos objectivos e conseguimos um deles que era vencer na primeira jornada”.

Diz o adágio popular que “sonhar não paga imposto” e Milton não foge à regra. O maestro da ADV sonha em jogar no Real Madrid e ser uma referência na selecção nacional, onde o capitão Dominguez é a sua fonte de inspiração.