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2021-03-11

Lau King: Um goleador forjado no futebol de rua

É uma das estrelas mais cintilantes da União Desportiva de Songo. Chama-se Pachoio Lau Há King, é moçambicano e marcou quatro golos nas primeiras quatro jornadas do Moçambola.

Lau King: Um goleador forjado no futebol de rua

Era dia 09 de Abril 1995 quando uma das famílias mais populares da cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, viu um novo rebento vir ao mundo. Na família King, o desporto era secundário, importante era estudar. “Não passei por nenhuma escola de formação de jogadores, apenas jogava na rua com os meus amigos. Na minha família a escola vem em primeiro lugar. Gostava de jogar futebol mas sempre em consonância dos estudos”.

Como os adolescentes da sua idade brincava até esquecer da hora das refeições o que lhe valeu várias repreensões por parte da mãe que “interrompeu vários jogos na rua para me levar à casa para passar as refeições, uma vez que naquela altura a minha vida resumia em estudar e jogar futebol”.

Com o futebol que aprendeu nas ruas, Lau King começou por destacar-se nos torneios recreativos organizados na Cidade de Pemba de onde foi convidado para integrar a formação principal da Associação Desportiva de Pemba, por sinal clube que competia no futebol federado. “Há cinco anos era um mero desconhecido no panorama futebolístico nacional. Eu era jogador do futebol do bairro, mas graças as minhas exibições na rua fui convidado pelo mister Abel para fazer parte da Associação Desportiva de Pemba, vulgarmente conhecido por Pembinha, para a segunda divisão a nível da zona norte do país”.

Veia goleadora desde a mocidade

Ao assinar pela Associação Desportiva de Maputo, o futebol recreativo ficou refém de um jogador que com a bola no pé não se intimidava. Apesar de ser um atleta entresilhado, Lau era um jovem intrépido e desafiava os meninos mais velhos com golos e exibições de luxo.

No futebol federado, o actual jogador da União Desportiva de Songo encaixou como de uma luva se tratasse, tendo despertado cobiça de outros emblemas que estavam interessados nos seus serviços de matador, uma vez que jogava a médio ofensivo mais tinha faro de golo. “Graças ao convite da Associação Desportiva de Pemba despertei cobiça de vários clubes, tendo sido contratado pelo Ferroviário de Pemba, onde me adaptaram a ponta de lança. Era um extremo que marcava muitos golos e o treinador teve a ideia de me colocar na posição de avançado e graças a esta mudança continuo a jogar nesta posição”.

Depois de terminar os estudos, na cidade de Pemba, Lau King já era uma certeza, era considerado a nova coqueluche daquela parcela do país. Ao serviço do Ferroviário de Pemba, Lau continuava a ser o “king” no que toca aos golos e exibições.

Nos meados da época 2017, Pachoio foi convidado para fazer parte da comitiva do Baia de Pemba que ia participar num torneio quadrangular organizado pelo Desportivo de Nacala.

O Desportivo de Nacala como trampolim para chegar a UDS

No quadrangular disputado no relvado sintético do campo da Bela Vista, dos avançados das quatro equipas que participaram no torneio, Lau King foi quem teve pontaria afinada, tendo encantado Antero Cambaco que solicitou junto da direcção dos canarinhos de Nacala a sua contratação. “Fiz um bom torneio. Rubriquei algumas exibições vistosas e fui o melhor marcador do torneio. Depois daquela prova fui contratado pelo Desportivo de Nacala para disputar o Moçambola”.

Naquele que foi o seu primeiro ano na alta roda do futebol nacional, Lau King não tremeu, continuou a espalhar o seu futebol forjado na rua. Rubricava exibições de sonhos e continuava a dar o gosto ao pé.

As excelentes prestações do avançado natural de Cabo Delgado não passavam despercebidas, tendo surgido um rol dos clubes, com destaque para os tubarões da Cidade de Maputo, interessados na sua contratação. Aliás, Antero Cambaco, treinador do Desportivo de Nacala chegou a declarar que seria difícil manter o avançado nas fileiras da formação de Nacala. “Conseguimos a manutenção e fui o melhor marcador da equipa na primeira época no Moçambola. Não esperava por sucesso imediato porque aquele era um contexto diferente do que estava acostumado, mas graças ao futebol de rua consegui me superar”.

A época de sonho no Desportivo de Nacala fez com os crônicos candidatos ao título travassem uma batalha titânica pela contratação de Lau King, contudo, em 2018, o atleta acabou rumando a União Desportivo de Songo, por sinal clube que representa actualmente.

Um goleador obcecado em ajudar o seu clube

O Moçambola foi interrompido depois da disputa da quarta jornada devido a curva descendente de infecções e óbitos relacionados a covid-19. Nas quatro rondas disputadas, Lau King marcou o mesmo número de golos que Ejaita com quem divide a liderança da lista dos melhores artilheiros.

Apesar de ser um dos avançados mais letais do futebol moçambicano declara que não está obcecado pelo troféu de melhor marcador do Campeonato Nacional de Futebol, apenas está focado em ajudar a sua equipa a alcançar os objectivos traçados. O atleta tem ambição de um dia jogar num campeonato mais competitivo.

“Nunca pensei em ser o melhor marcador do Moçambola, o meu objectivo é marcar golos para ajudar a minha equipa a atingir os seus objectivos. Luto para ser melhor marcador da minha equipa e para ganhar títulos. Se for para acontecer vai acontecer. Na época passada tivemos um despique entre Eva Nga e Luís Miquissone, mas infelizmente não conseguiram bater os recorde de Amade Chababe. Acredito que não será tão já que será suplantado este recorde, mas ficarei feliz se um dia conseguir igualar ou superar, uma vez que Chababe é também natural de Cabo Delgado”.

Pachoio Lau Há King é um atleta que assobia para o lado quando se fala da luta dos goleadores do Moçambola, mas não deixa de ser atleta ambicioso. “Gostaria de jogar num campeonato competitivo, seja em África a ou na Europa. Sonho igualmente em representar um dos ditos tubarões da Cidade de Maputo. A UDS é um grande clube, mas em termos históricos os clubes da Cidade de Maputo são maiores. Seria honroso representar um gigante da capital moçambicana”.

A passagem esporádica pelo Amora e os Mambas

Em 2018, o Lau King esteve na iminência de se transferir para o futebol europeu. O Amora, clube cujo a Sad era maioritariamente detida por empresários moçambicanos, seria a porta de entrada do goleador forjado nas ruas no velho continente. Tudo estava alinhado para King rubricar um contrato com aquele emblema do Campeonato de Portugal, mas não ouve entendimento entre as duas partes.

“Tinha tudo para ficar no Amora, mas a proposta apresentada não foi das melhores, tendo preferido regressar ao meu país. Aliás, depois do Amora fui fazer testes no Vitória de Guimarães, mas acabei sofrendo uma lesão e assim não tinham como me observar, disseram que podia regressar quando estiver recuperado”.

O “goleador da rua” é um dos avançados mais promissores do futebol nacional, já foi convocado por Abel Xavier para os trabalhos da selecção nacional e é uma das novidades na lista de Luís Gonçalves para o dupla jornada de qualificação para ao CAN frente ao Ruanda e Cabo Verde, contudo ainda não se estreou com a camisola dos Mambas.

“Fui chamado pela primeira vez na era Abel Xavier, em 2017, mas infelizmente tenho tido azar sempre que sou chamado para os trabalhos da selecção nacional. Essas condicionantes me impedem de me afirmar no combinado nacional. Trabalho arduamente para merecer mais oportunidades e no dia que surgir irei segurar com as duas mãos”.

Dominguez e Cristiano Ronaldo como fontes de inspiração

Nos tempos livres, o actual melhor marcador do Moçambola, que nos tempos livres prefere fazer coisas que não tem nada a ver com o futebol, ou seja, passear, assistir filmes e conversar com os amigos, olha para os capitães da selecções nacional de Portugal e Moçambique como as suas fontes de inspiração.

“Em Moçambique existe muitos jogadores talentosos. Dayo, Telinho, e Mario são jogadores que admiro bastante. A nível internacional nunca escondi a minha admiração pelo Cristiano Ronaldo. Ele é um jogador que alia talento ao trabalho e por via disso tem batido recordes atrás de recordes. Intramuros olho para o Dominguez como fonte de inspiração, é uma pessoa humilde e um maestro por excelência. Luís Miquissone é outro jogador com uma qualidade de invejar, o que está a fazer agora ao serviço do Simba não me surpreende, ele é craque”.