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2021-02-09

Ali Hassan: A formiguinha laboriosa

O seu “timbre” era jogar para a equipa, sem pensar em brilhar individualmente. Recuperava as bolas e endossava-as aos colegas.

Ali Hassan: A formiguinha laboriosa

Uma, duas, várias vezes. Incansável, qual formiguinha laboriosa, apostava nessa missão sem desfalecimento. Brilhou no Desportivo de Maputo e protagonizou uma polémica transferência para o Sporting de Portugal, com o Benfica à ilharga.

Nos “leões” de Lisboa, desfilavam grandes jogadores, como Silas, Douglas, Venâncio e Paulino Cascavel. Uma equipa de luxo. Dos seis estrangeiros, só podiam jogar dois. Ali era o preterido, mas sentia-se injustiçado. E até vivia uma situação caricata: não jogava pelas reservas porque era abaixo do seu nível, mas também não actuava pela equipa principal. Daí a pressão para mudar de nacionalidade, coisa que nunca passou pela cabeça do nosso compatriota.

Além disso… Como muçulmano convicto e praticante, cumpria com todos os preceitos, incluindo o jejum o que o terá prejudicado, como atleta de alta competição. Isso e as vindas aos Mambas, foram motivos suficientes para ser “riscado” de Alvalade. Ali era um médio falso-lento, daqueles que liam muito bem o jogo e advinhavam os lances dos adversários.

DUELO COM DIEGO MARADONA

Marcou Diego Maradona quando este jogava pelo Nápoles, por duas vezes. Na primeira partida, em Alvalade, o jogo ficou em branco. A imprensa realçou o facto de ele ter “secado” o astro, apesar do cartão amarelo que apanhou. Na segunda partida, em Itália, Ali Hassan entrou na segunda parte, quando a estrela argentina já tinha aberto o livro. O treinador mandou marcá-lo e assim garantiu que este jogo também ficasse em branco. O desempate foi feito através de grandes penalidades e o Sporting foi afastado da Taça EUFA.

Acabou tendo uma carreira sinuosa, pois o seu percurso futebolístico foi tendo um gráfico decrescente, passando para clubes de menor valia.

Aos 33 anos, do Torres Novas, poderia ter tentado um outro clube português, mas optou pelo regresso à terra.



Bibliografia: Renato Caldeira, 40 anos Após a Independência, 2016

Extraido aqui: Estrelas de Moçambique (3) – Ali Hassan – Futebol